Catequese, 1a Eucaristia e Crisma.

Como fazer?

O QUE É CATEQUESE?

O termo CATEQUESE é comum na pastoral da Igreja Católica, geralmente significando o período de formação voltado aos sacramentos, especialmente à Primeira Eucaristia e ao Crisma.

No entanto, ao estudarmos os Documentos da Igreja e em especial o Diretório Geral para a Catequese e o Diretório Nacional de Catequese, fica claro que o seu significado é bem mais amplo. Assim, podemos definir a Catequese como: Processo permanente de educação na fé que se realiza em primeiro lugar na família, com o apoio da comunidade cristã que assume sua missão fundamental de lançar os alicerces sobre os quais a fé se sustentará. Nesse processo, o catequizando deve ser o protagonista e ter como meta gestar uma história de amor que leve ao relacionamento íntimo com Deus. A catequese é o meio no qual cada um se torna sujeito da própria transformação.

A catequese só se realiza pela imersão na pedagogia de Jesus e na pedagogia de Deus, a pedagogia do amor, do acolhimento, da esperança, da compaixão. Essa imersão se dá em primeiro lugar pelo TESTEMUNHO de vida daqueles que se dedicam a catequizar. A partir desse Testemunho, segue o ANÚNCIO e finalmente se completa com a EXPERIÊNCIA da presença e do amor de Deus.

A experiência de Fé leva a pessoa e a comunidade a crer conscientemente, de tal forma que se sinta encorajada a viver radicalmente a proposta evangélica de Jesus, comprometendo-se com a ação profética que denuncia tudo que não está conforme a vontade de Deus, e anuncia a sua presença no mundo, tornando a própria vida o espaço sagrado onde se dá o encontro com o Pai.
O objetivo primordial da Catequese é levar ao amadurecimento da Fé, que se processa ao longo da vida em distintas etapas, respeitando o tempo necessário a cada um, e dando autonomia às pessoas para que possam compreender por si mesmas qual o caminho a seguir para que se tornem verdadeiros discípulos de Jesus, construtores do Reino de Deus.

Primeira comunhão

Este sacramento faz parte da iniciação cristã, o que acontece até aos dias de hoje. O próprio Jesus instituiu a Eucaristia, na quinta-feira santa, durante a última ceia e foi seguindo a ordem de Jesus, "Fazei isto em minha memória" que a Igreja se manteve unida, desde Jerusalém até aos dias de hoje. A fração do pão faz parte da nossa vida, é o cume da espiritualidade da igreja católica desde os primeiros dias.

A Primeira Comunhão, como vimos na Igreja primitiva, dava-se a partir do momento em que o cristão recebia o Batismo, isto é, no mesmo dia já recebia a primeira eucaristia. Mas como se "instituiu" o Batismo de crianças, estas passaram a fazer a formação do catecúmeno depois do batismo e a primeira comunhão passou a ser ministrada após esta formação catequética.
Vamos ver o que diz o catecismo da Igreja Católica:
§1322. A sagrada Eucaristia completa a iniciação cristã. Aqueles que foram elevados à dignidade do sacerdócio real pelo Baptismo e configurados mais profundamente com Cristo pela Confirmação, esses, por meio da Eucaristia, participam, com toda a comunidade, no próprio sacrifício do Senhor.
§1323. «O nosso Salvador instituiu na última ceia, na noite em que foi entregue, o sacrifício eucarístico do seu corpo e sangue, para perpetuar pelo decorrer dos séculos, até voltar, o sacrifício da cruz, confiando à Igreja, sua esposa amada, o memorial da sua morte e ressurreição: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal em que se recebe Cristo, a alma se enche de graça e nos é dado o penhor da glória futura» (145).
I. A Eucaristia - fonte e cume da vida eclesial
§1324. A Eucaristia é «fonte e cume de toda a vida cristã» (146). «Os restantes sacramentos, assim como todos os ministérios eclesiásticos e obras de apostolado, estão vinculados com a sagrada Eucaristia e a ela se ordenam. Com efeito, na santíssima Eucaristia está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo, nossa Páscoa» (147).
§1325. «A comunhão de vida com Deus e a unidade do povo de Deus, pelas quais a Igreja é o que é, são significados e realizados pela Eucaristia. Nela se encontra o cume, ao mesmo tempo, da acção pela qual Deus, em Cristo, santifica o mundo, e do culto que no Espírito Santo os homens prestam a Cristo e, por Ele, ao Pai» (148).
§1326. Enfim, pela celebração eucarística, unimo-nos desde já à Liturgia do céu e antecipamos a vida eterna, quando «Deus for tudo em todos» (1 Cor 15, 18).
§1327. Em síntese, a Eucaristia é o resumo e a súmula da nossa fé: «A nossa maneira de pensar está de acordo com a Eucaristia: e, por sua vez, a Eucaristia confirma a nossa maneira de pensar» (149).

O Sacramento da Confirmação - Crisma

O Catecismo da Igreja Católica ensina que a Confirmação - Crisma, pertence, juntamente com o Batismo e a Eucaristia, aos três sacramentos da iniciação cristã da Igreja Católica. Nesse sacramento, tal como ocorreu no Pentecostes, o Paráclito desceu sobre a comunidade dos discípulos, então reunida. Também nele o Espírito Santo desce em cada batizado que pede à Igreja o dom d'Ele [Espírito Santo], dessa forma o sacramento encoraja o fiel e o fortalece para uma vida de testemunho de amor a Cristo.

A Confirmação é o sacramento que completa o Batismo e pelo qual recebemos o dom do Espírito Santo. Quem se decide livremente por uma vida como filho de Deus e pede o Espírito de Deus, sob o sinal da imposição das mãos e da unção do óleo do Crisma, obtém a força para testemunhar o amor e o poder de Deus com palavras e atos. Essa pessoa agora é membro legítimo e responsável da Igreja Católica.
Chama-se Crisma (nas Igrejas Orientais: Crismação com o Santo Myron) por causa do rito essencial que é a unção. Chama-se Confirmação, porque confirma e reforça a graça batismal. O óleo do Crisma é composto de óleo de oliveira (azeite) perfumado com resina balsâmica. Na manhã da Quinta-feira Santa, o bispo consagra-o para ser utilizado no Batismo, na Confirmação, na Ordenação dos sacerdotes e dos bispos e na consagração dos altares e dos sinos. O óleo representa a alegria, a força e a saúde. Quem é ungido com o Crisma deve difundir o bom perfume de Cristo (cf. II Cor 2,15).
O efeito da Confirmação é a efusão especial do Espírito Santo, como no Pentecostes. Tal efusão imprime na alma um carácter indelével e traz consigo um crescimento da graça batismal: enraíza mais profundamente na filiação divina; une mais firmemente a Cristo e à sua Igreja; revigora na alma os dons do Espírito Santo; dá uma força especial para testemunhar a fé cristã.
O YOUCAT - Catecismo Jovem da Igreja Católica, afirma que: Ser Confirmado - Crismado significa fazer um acordo com Deus. O confirmado diz: sim, eu creio em Ti, meu Deus, dá-me o Teu Espírito para que eu te pertença totalmente, nunca me separe de Ti e te testemunhe com o corpo e com a alma, durante toda a minha vida, em obras e palavras, em bons e maus dias! E Deus diz: sim, Eu também creio em ti, Meu filho, e te darei o Meu Espírito e até a mim mesmo, pertencer-te-ei totalmente, nunca me separarei de ti, nesta e na vida eterna, estarei no teu corpo e na tua alma, nas tuas obras e nas tuas palavras mesmo que me esqueças, estarei sempre aqui, em bons e maus dias.
Pode e deve receber este sacramento qualquer cristão católico que tenha recebido o sacramento do Batismo e esteja em estado de graça, isto é, não ter cometido nenhum pecado mortal (pecado grave). Mediante um pecado grave separamos de Deus e só podemos nos reconciliar com Ele por meio do sacramento da Penitência - Confissão.
O sacramento da Confirmação normalmente é presidido pelo Bispo, por razões pastorais, ele [bispo] pode incumbir determinado sacerdote de celebrá-lo. No rito litúrgico da Santa Missa do Crisma o Bispo dá ao crismando um suave sopro para que se lembre de que está se tornando um soldado de Cristo, a fim de perseverar com bravura na fidelidade ao Senhor.
Portanto, este belíssimo sacramento Confirmação completa o Batismo, por ele o fiel recebe o dom do Espírito Santo, faz um acordo com Deus, e assim, cheio dos dons do Espírito, é chamado a testemunhar o amor ao Senhor, se preciso for, a dar a vida uma vez que recebeu uma força especial para seguir Cristo até o fim de sua vida.